Free Britney, Maid e outras histórias sobre o assédio via tribunal

Gambe4Women
3 min readOct 11, 2021

Por Stella Furquim

Existem dois tipos principais de violência doméstica que são largamente praticados mesmo após uma família não estar na mesma casa.

Violência doméstica é crime na maioria dos países e se caracteriza por abusos psicológicos e físicos.

O novo documentário sobre o abusivo caso de tutela a que a cantora Britney Spears está submetida traz muitos gatilhos para várias de nós, mulheres dos dias de hoje que não aceitam mais relacionamentos abusivos.

No documentário que se tornou disponível no Netflix, ontem, dia 28 de setembro de 2021, Britney vs. Spears fica muito clara uma manobra que muitas mulheres separadas e divorciadas mundo afora conhecem bem: continuação do controle coercitivo e do abuso patrimonial com a ajuda dos tribunais.

Ao assistir o documentário, sem nenhuma surpresa para o extremo abuso que a Justiça americana permitiu que se esticasse por longos 13 anos, dois pensamentos rondavam minha mente: a Amy Winehouse sofreu abuso semelhante do pai dela e se acontece com a Britney Spears, o que será de nós, reles mortais?

Britney perdeu muitos dos seus direitos e passou mais de uma década controlada pelo pai e os agentes que o ajudavam nesta tarefa. Nem constituir um advogado ela podia, um rombo na lei que já foi modificado graças aos escândalos nesta situação abusiva que ocorre com a cantora.

A violência doméstica tem várias formas e não se reduz a violência num relacionamento íntimo. Pode afetar idosos e crianças que estejam nestes ambientes tóxicos por períodos prolongados. Faz parte do leque da violência doméstica duas violências que se perpetuam através dos tribunais: controle coercitivo e controle patrimonial.

Quantas vezes temos que lidar com o fato de que o ex-parceiro e pai dos filhos quase não contribuem para a manutenção das crianças? Ou como na série de ficção Maid, também disponível no Netflix, o pai da criança que não contribui com cuidados e toda carga mental que se tem de criar crianças pequenas, vira o pai exemplar no tribunal assegurando seus plenos direitos apesar de ser um parceiro agressivo.

Como em Maid, e na vida real, minha e de várias pessoas que já passaram pelo GAMBE, os direitos parentais do pai são respeitados, mas ele nem se dá ao trabalho de cuidar da criança. É só mesmo uma técnica para desestabilizar a ex-esposa emocionalmente. Os cuidados às crianças serão negligenciados e/ou terceirizados. O superior interesse da criança é a principal razão para que o tribunal respeite os direitos parentais do pai, mas realmente é do interesse da criança ser negligenciada ou até virar o novo alvo dos abusos emocionais?

A série Maid trata de muitos outros aspectos ligados ao abuso no relacionamento íntimo como o ciclo de abuso que passa de geração em geração, abuso no ambiente de trabalho, abuso dentro do sistema e como é quase impossível acessar benefícios bem como muitas pessoas que sofrem abuso não se enxergarem nessa posição de vítima.

Independente do abuso e de onde vem, as maiores vítimas são sem dúvida nenhuma mulheres e crianças.

Por isso, é tão urgente e necessário que o sistema como um todo enxergue estas situações sob a lente de gênero.

Para saber mais sobre isso, consulte-nos, temos cursos disponíveis.

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